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Por que fazemos musicais no IEM?

Um depoimento da diretora do IEM, Profa. Carmen Mettig Rocha, sobre os musicais do Instituto. "Estamos cantando, tocando, dançando. Mas estamos, sobretudo, vivendo coletivamente e aprendendo a ouvir o outro. Existe algo mais importante do que isso nos dias de hoje?"

 

Algumas pessoas me perguntam o porquê de realizar musicais com nossos alunos no IEM. Vou responder:

 

Bem, acho que tudo começou cedo. Tive sorte de ter uma mãe, educadora e sábia, que nos proporcionou, a mim e minha irmã, uma educação completa que, além de uma vida escolar de qualidade, nos incentivou o contato com a arte e cultura; frequentamos concertos, peças de teatro e espetáculos de dança. Fiz aulas de ballet, sapateado e dança contemporânea, ao mesmo tempo em que fazia um excelente curso de música com professores especiais nos Seminários Livres de Música (que depois virariam a Escola de Música da UFBA).

 

Sendo minha mãe a criadora do Colégio Nossa Senhora do Carmo, uma conceituada escola de Salvador em sua época, desde cedo visitava as classes do Jardim de Infância para cantar com as crianças, realizando diversas atividades lúdicas que aos poucos foram tomando a forma de pequenas peças. Desde essa época já percebia o poder que atividades como essa tinha sobre a criatividade e o desenvolvimento emocional de quem se dispunha a participar delas.

 

O que me fascina é que durante toda a minha vida estive em contato com o palco e toda a magia que ele nos oferece. Conheço de perto a incrível força transformadora que essa experiência pode trazer.

 

Um pouco mais tarde, realizei diversos trabalhos em palco com alunos do Curso Pedagógico; depois, com estudantes dos Cursos Adicionais e com alunos dos Cursos de Orientação Educacional, Supervisão e Administrativo Escolar das Faculdades Integradas Olga Mettig, que em cada encerramento de semestre apresentavam um trabalho artístico pedagógico, no palco!

 

Todas essas experiências me levaram, inclusive, a trabalhar como atriz em montagens de peças como “Zé Ninguém”, baseada no livro de Williem Reich e com a direção de Jacques de Beauvoir, e “Sirius, aqui vamos nós!”, espetáculo infantil criado por mim com colaboração da atriz Cida Almeidae do diretor Sansão.

 

Na Escola de Música da UFBA, ao coordenar numerosos grupos de crianças (atingiam o expressivo número de 200 inscritas) do curso de Iniciação Musical, através da FAPEX, chegamos a apresentamos no Teatro Castro Alves, seguramente um dos mais prestigiados palcos do Brasil, as peças “Loja de Brinquedos de Papai Noel” (direção geral minha) e “A Cigarra e a Formiga” (com direção de Cícero Alves Filho).

 

Juntamente com o renomado maestro Teruo Yoshida, realizamos, também no TCA, o lindo concerto “Música Criança”, com nossos alunos e seu coral, reconhecido até hoje pela sua qualidade artística.

 

Cena da peça Um Sonho de Natal, do IEM _ Instituto de Educação MusicalCom o IEM a história continuou viva com montagens “Loja de Brinquedos de Papai Noel”, “Um pouquinho de tudo”, “Uma Viagem ao Sítio do Pica Pau Amarelo” e “Faz de Conta”, numa fase mais antiga, e nas peças “Meu Sonho de Natal” (1995, no Teatro ACBEU), “Fantasia Musical” (1996, no Teatro SESC Casa do Comércio), “Broadway IEM Show” (1999, em quatro sessões lotadas no Teatro SESC-SENAC Pelourinho) e “O Principezinho que não sabia sorrir” (2002, no Teatro Salesiano). Essas quatro peças mais recentes tiveram a direção geral do ator e diretor Beto Mettig.

 

Mais recentemente, muitos alunos do IEM que não tiveram a chance de participar desta história rica de experiências começaram a insistir em retomar nossas produções. Essa sempre foi a minha vontade, mas por um longo período de reestruturação dentro do Instituto nossa equipe se viu focada em outros aspectos do processo educativo.

 

Cena do musical Tocando o Coração, do IEM - Instituto de Educação MusicalRetomamos essa tradição em 2017 com o espetáculo “Tocando o Coração” no Teatro SESC-SENAC Pelourinho, dirigida também por Beto Mettig, em homenagem aos 25 anos da escola. Neste ano foi a vez de encenarmos “Músicas do Mundo”, realizado no último dia 25 de outubro no Teatro Jorge Amado.

 

Tudo isso sem falar nos inúmeros concertos de Natal em diversas igrejas e espaços da cidade, sempre tendo a disciplina de ensaios e a prática criativa do trabalho grupal vinculadas à filosofia que guia a pedagogia musical do Instituto de Educação Musical junto a seus alunos e professores.

 

Sabemos do trabalho extra e da responsabilidade que traz a montagem de um espetáculo, mas tudo isso é facilmente superado ao percebermos a alegria grupal e os frutos que essa experiência enriquecedora traz a todos que sobem a um palco para se expressar artisticamente. É um envolvimento coletivo, com criatividade e emoção à flor da pele.

 

Cena da peça O principezinho que não sabia sorrir, do IEM - Instituto de Educação MusicalPreparar e refletir sobre as músicas e as cenas, ensaiar os arranjos musicais, estudar a melhor maneira de realizar a sequência do espetáculo como um todo, criar laços e vínculos durante os ensaios, provar figurinos, ver de perto a montagem técnica nos teatros, tudo isso é aprendizado para a vida! São poucas as pessoas que tiveram a oportunidade de experimentar o palco, a ansiedade pré-estreia, o aplauso de uma plateia lotada. O teatro nos permite interpretar a vida de um lugar com o qual não estamos acostumados, com visões múltiplas para uma mesma experiência. Tudo isso amplia nossa visão para diversos aspectos do aprendizado de nossos alunos, seja ele musical ou pessoal.

 

Sentir o entusiasmo dos professores e a colaboração dos pais, a criatividade e a alegria dos alunos, o comprometimento da equipe de funcionários do IEM, todos focados na experiência mágica de levar ao palco um sonho coletivo, nos dá a certeza de que esse caminho tem sido acertado em níveis que nem podemos medir nesse momento.

 

Estamos cantando, tocando, dançando. Mas estamos, sobretudo, vivendo coletivamente e aprendendo a ouvir o outro, a dividir experiências em comum a partir do respeito, aprendizado e incentivo de quem está ao nosso lado. Existe algo mais importante do que isso nos dias de hoje?

 

No palco somos todos iguais. A hierarquia acaba quando cada aluno, cada professor tem que fazer soar a sua melodia, dar voz ao seu sentimento. Todos transformados em artistas, por um momento mágico e singular.

 

Isso é vida! E é exatamente por isso que fazemos musicais no Instituto de Educação Musical.

 

Carmen Mettig Rocha – Diretora do IEM

 

 

Nas fotos acima, em ordem de publicação, cenas dos musicais "Um sonho de Natal", "Tocando o coração", "Um principezinho que não sabia sorrir" e "Tocando o coração". Confira abaixo mais algumas fotos dos espetáculos do IEM:

 

Cena de Meu Sonho de Natal, musical do IEM.

Parte do elenco de “Meu Sonho de Natal”, musical encenado pelo IEM em 1995 no Teatro ACBEU

 

Cena de Broadway IEM Show, musical do Instituto de Educação Musical - IEMCena do musical Broadway IEM Show, encenado pelo IEM em 1999.

Cenas do musical Broadway IEM Show, encenado pelo IEM em 1999.

 

Cena do musical Tocando o Coração, encenado pelo IEM em 2017.

Cena do musical Tocando o Coração, encenado pelo IEM em 2017.

Cenas do musical Tocando o Coração, encenado pelo IEM em 2017.

 

Cena do espetáculo Fantasia Musical, encenado pelo IEM em 1996.

Cena do espetáculo Fantasia Musical, encenado pelo IEM em 1996.

 

Foto de divulgação do espetáculo Broadway IEM Show, encenado pelo IEM em 1999.

Parte do elenco do espetáculo Broadway IEM Show, encenado pelo IEM em 1999.